Nove horas da manhã seguinte a uma noite decadente, de álcool e perversões, longe de casa, longe do meu espaço seguro. Passei pela rua e arranquei uma folha de uma árvore, sem nenhuma intenção maior, apenas arranquei, parei, e comecei a observá-la. Cada detalhe, cada nervura, cada tom de verde.
Enquanto as meninas tomavam café na padaria, me perdi na minha folha, o tempo parou, e meu olhar se prendeu. Na minha cabeça não entendi a existência de algo assim. É vivo, mas não tem alma, não sente, não cria nada. É uma existência estável e insignificante.
Inesperadamente, senti amor.
Não sei por qual motivo, mas passei a admirá-la simplesmente pelo fato de existir. Criamos um vínculo injustificável, e todo meu ser, toda minha existência, meus aspectos, minhas frustrações, meus desejos, tudo deixou de existir naquele momento, naquela folha. Foi como trocar de lugar, como se fosse ela a me observar.
Voltando, percebi que tem tanta coisa a nossa volta e não conseguimos sentir a essência de nada, não nos permitimos amar nada. Tudo passa desapercebido e assim nos tornamos tão ou mais insignificante do que a folha.
Guardei-a comigo, pra que eu não me esqueça desse insight. Eu sei que ela vai murchar, secar e desaparecer, mas continuarei guardando-a, pra me lembrar sempre da lição daquela pequena folha insignificante.

otimo muito bom, adorei, voc escreve muito bem Lugh
ResponderExcluirLeia um livro que chama "o caminho do guerreiro pacífico", tem super a ver com esse texto, vc vai gostar. =)
ResponderExcluirah
ResponderExcluirfoi um doce te ter como amigo secreto
olha guarda um canto em Minas que irei por aí esse ano