terça-feira, 31 de maio de 2011

Esclarecimento

antontang.deviantart.com





As pessoas desentenderam
Desapego não é não-apego

É muito amor,
Que não cabe em mim
E sem dono
Transborda pelo mundo
Vira céu, vira ar
Vira terra, vira mar






quarta-feira, 18 de maio de 2011

Coração

foto: jenniholma.deviantart.com





Tento a tempos
E me recuso

Fecho os olhos
Ao meu dilema

Encenando, insisto
Ou mantenho-me ausente



 ...

 

Os dois ainda discutem
Sobre a sua permanência
Os dois pedaços
Do meu coração
Partido





quinta-feira, 12 de maio de 2011

Ausência

 
foto: david-sotosek.deviantart.com





Sem saber seu nome
Sonhei seu sobrenome
De mãos dadas com o meu


 


terça-feira, 10 de maio de 2011

Cobertor





 
Cansei de promessas e das minhas noites de feltro e pés gelados.

Não há cobertor que cubra uma ausência. Ou que aqueça esta cama vazia.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Liberdade




 foto: wort3x.deviantart.com




Prefiro viver de ar
A condicionar minha felicidade
A um suspiro ou dois
De amores que se vão com o vento

Se a liberdade de Clarice não tinha nome
A minha não tem condição
Que seja de ar
Um forte feito de ar
Mas que no fim do dia,
Não me falte o ar.



quinta-feira, 5 de maio de 2011

Não Importa




 foto: strany.deviantart.com




Não penso mais, mas sinto
E sinto que em mim não há saídas
Há somente portas
Escolhas de sabedoria atemporal

Meu sentido agora é não fazer sentido
E no fim (ou no início) das contas
Nada me importa
Nada importa realmente




terça-feira, 3 de maio de 2011

Anseio

foto: indiae.deviantart.com



As pessoas são tão pequenas;
Com anseios tão pequenos.
Talvez eu não queira ser nada,
E ter em mim todos os sonhos do mundo.

Fecho os olhos...

O Mar


 foto: tragicmouse.deviantart.com



Não me ensinaram a lidar com a vida assim
Cheia de maré
Mas amor, não dá pra ser grande
Em copo d’água
(com tempestade ou sem)

Eu quero o mar.

Cheio de espaços
Que a água preenche, carrega
E depois deixa vazios
Areia molhada
À espera do sorriso da proxima lua cheia






Caixa de Correio

foto: azaleajade.deviantart.com





O amor sempre foi a alma do poeta.
O desamor sua mão direita.
Mas quem me dera ser destes,
Só escrevo meus recados simples,
Os quais guardo em caixas de correios.
Vazias.
Anônimas.




 .

Dúvida

foto: tenteri.deviantart.com



Que esse tal deus do homem
Que diz sim e não, permita.
Que eu continue arrastando meus grilhões

Que me permita a dúvida,
Que continua melhor
Que qualquer certeza
Que não foi construída por mim.

QUE você quer de mim?
É o quê da minha dúvida.





Confidente

foto: petitescargot.deviantart.com




Sussurro nos ouvidos
De quem está sempre disposto
Estas palavras calmas,
Feitas de ar,
De um ar sem fôlego.

Me faço espelho,
Reflexo antônimo,
Exposto.
De um mundo raso,
De papel branco poroso.

Há mais segredos em mim
Do que eu poderia escrever.
Por isso apenas assopro
Este contínuo canto
Pelos cantos da minha alma.







Boneco de Papel

foto: Hug, por antontang.deviantart.com

 
Sapato de papel
Refeito e calçado
A cada passo, desajeitado
Vai correndo,
Tropeçando,
Num sentido que nem sabia se fazia.

Coração de papel
Imaculado
Guarda a esperança
De uma chuva mansa
De um abraço molhado
Que desfaz, desmancha

De amor.





Espaço



Eoespaçoresolveusumirjustohojequeeuqueriatemostrarasestrelas.




Tarot XI - vi arcana - A Força


A força é o princípio feminino que domina, não através da força bruta, mas das qualidades do espírito, do espírito que domina a matéria. É a mão doce que doma a besta através da calma e da compreensão.

A força é a virgem, que desfalece as resistências até dos mais fortes guerreiros e sobrepuja-os com amor. É o domínio sobre as paixões, é poder de conquista, é a sabedoria de quem não aniquila o caos, mas o utiliza a seu favor.

Amigo Oculto / Secret Santa



Então, chegou a hora da revelação!
Pra quem não sabe, este post é dedicado a um grupo de amigos que fez um amigo oculto junto ao blog Poesia Torta, da Kênia Cris.

Então, meu amigo oculto é o TALLES AZIGON, que é dono de um blog lindo e apaixonado por poesia. Na verdade fiquei muito feliz por ter tirado alguém com quem me identifiquei tanto, e preparei essa poesia-presente com todo o carinho do mundo. Espero que goste :)




foto: kimberlyann.deviantart.com


Nós,
Que enquanto poetas vivemos,
Nus,
Atrás do amor puro das palavras
Atrás de abraços de mil e poucas letras.

Nós,
Crianças de pecado
Pois se diz pecado
A inocência de quem escreve
De quem se descreve
Sem pudor.

E o outro não entende...
A palavra é ingênua e inconseqüente
Assim como o coração de quem na poesia
Só busca o sorriso, e uma companhia quente.



Espelho



foto: "Mask and Mirror", por mamazmeilor.deviantart.com



Quando eu olho pra você,
meu sangue esquenta
e me pinta a face de timidez.

É quando eu olho pra você,
que vejo como num espelho,
refletida,
a melhor parte de mim.

Imagens invertidas,
mostrando - por antônimo -
tudo o que eu queria ser.

Nós somos um, amor,
apenas um sonho.




Passageiro


 Foto: Young Traveler - nekoi2.deviantart.com



Me entrego a você
em três gritos, de três palavras:

-Eu te amo!
-Eu te amo!
-Eu te amo!

Mas se sonhar é pouco,
se meu sorriso não faz teu gosto,
então deixo assim, e recrio,
denovo,
um novo amor.
Passageiro.




Sombra

 

Se tamanho é documento,
meu documento tem tamanho
indefinido.

Pra falar a verdade,
deixei em casa minha identidade,
pra poder andar livre pelo mundo.
 


 foto: don-paolo.deviantart.com (editada por mim)




 

Amor

 foto: amatorka.deviantart.com


Paixões padronizadas.
Relacionamentos desagradavelmente estáveis.

Corações embalados a vácuo,
vendidos em lojas de conveniência.

E as pessoas continuam sem (se) entender.

"Amor fora do corpo, só se for em bolsas de sangue."

 
Amor real não prende, liberta. 



Desilusão


foto: naksatra.deviantart.com


Se como homens somos condenados a viver eternamente no presente,
Por que não aceitar que afetos são também passageiros?
Não se arrisca tudo por amor doído, que apenas justifica sofrimento.

Temos todos os dias pra nos apaixonar,
Mas vivemos nos enganando;
Entenda, “pra sempre” é sempre mentiroso.




Sigilo

foto: greeneyesofrain.deviantart.com




Enquanto o mundo é aparentemente silencioso
MEU SILÊNCIO GRITA EM MIM!
Grita e me arrRRRrranha por dentro
Por dentro das veias,
Com sangue e dor.

E quando o mundo se torna ruidoso
No meu corpo o silencio se faz
...silencioso...
...
Um grito abafado,
Quase sem cor.




Entardecer


fonte: ahermin.deviantart.com



Abraça-me hoje,
e me ama até o sol se por.
Porque em todas as noites serei só meu;
é como devo ser.

Me entenda, prefiro te amar às claras,
para que possamos sempre nos reconhecer.
Então me abraça amor, apenas quando puder me ver.


 
“Abraçar é encostar um coração no outro.”



Olha pra mim...

 foto: niebezpiecznygroszek.deviantart.com



Pobre garoto, vítima da vida.
Suas mágoas falam alto,
falam pela pele, pelos gestos e pelo sorriso...
desesperado.

Olha pra mim.

Pobre garoto, vítima dos seus afetos,
das suas crises, das suas perdas e da sua falta de paixão.
Não guarda tuas lágrimas,
olha pra mim.

_ Vontade eu tenho, de te carregar comigo, de te mover à força desse buraco onde você se enfiou!

Pobre garoto, olha pra mim,
que te estendo a mão.
Olha pra mim, que te ofereço o melhor cantinho do meu coração.

Olha pra mim,
ou me deixe esperando eternamente
pelo momento em que você abrirá os olhos.




Passado

foto: bolshevixen.deviantart.com



Naquela noite de chuva forte, quando ele resolveu ouvir seus discos antigos, lá estava, todo empoeirado, um que ele mesmo gravou, com suas músicas preferidas de tempos atrás. Deitado na cama, entre um antigo sucesso e o outro, toca uma música que o fez arrepiar. Ele não sabia se passava ou se continuava ouvindo, mas não resistiu a todas aquelas lembranças de um passado delicioso e do início daquela paixão.

 

Às três da manhã, bêbados em uma mesa do bar que já estava fechando, resolvem procurar alguma diversão em outro lugar, sem sucesso.
_ Moramos próximos, me acompanha? _ decidem ir embora.
E naquele morro, naquele canto escuro que parecia já ter sido preparado para a ocasião, aconteceu o primeiro beijo, cheio de medo, êxtase e a mistura gostoso-proíbido de um beijo quente, que de tão intenso chegava a doer.

No outro dia ele acordou como se estivesse no céu, ainda não acreditando no que tinha acontecido. Era incrível demais para ser verdade e sua felicidade era tão transparente que ele só não gritava para o mundo porque havia prometido segredo na noite passada.

Segredo. Passaram a se ver todos os fins de semana, depois das festas, escondidos. Pareciam duas crianças, espíritos errantes na noite em busca do desconhecido. Não importava se chovia ou se fazia muito frio, cada canto escuro era como uma cama quente e quando eles se abraçavam seus peitos se encontravam e se fundiam de forma que chegava a ser difícil quando era hora de separar.

Aos poucos todos os medos foram se dissolvendo e perdendo a forma, mas era ainda um amor avesso, sem sentido nem possibilidade de dar certo. Era uma aventura com um esperado final desastroso, mas mesmo assim continuavam se vendo, cada vez de forma menos discreta. O perigo excitante de todos os seus mau-feitos; abusaram de todas as formas possíveis da liberdade que todos possuímos mas quase nunca usamos. Estavam no céu, ele tinha certeza disso.

Com o tempo veio o pedido de namoro, depois os primeiros beijos públicos. Trocaram os cantos escuros por camas quentes, o frio da rua pelas noites em casa vendo filme e comendo pizza, as diversões proibidas por encontros marcados na pracinha.

Com o tempo veio a rotina, as brigas, e no fim das contas o desinteresse.

Quase dois anos e já mal se lembravam das deliciosas sensações do primeiro encontro. Cada briga, cada dificuldade familiar, cada desencontro, tudo começou a deixar a relação pesada demais a ponto de torná-la incômoda e insatisfatória. Ele se perguntava frequentemente onde estava aquele ímpeto que sempre trouxe forças para que eles enfrentassem tudo pra ficarem juntos, mas não entendia o que tinha acontecido.

Foi numa tarde calma, num café, que se desencontraram de vez. Com certo receio se despediram e por fim trocaram o beijo quente por um aperto de mão. Pouco tempo depois eles não se falavam mais, apenas trocavam olhares distraídos, com certa mágoa.

Hoje em dia, eles não se conhecem, talvez nem se reconheçam. Sobraram apenas as lembranças, do rosto e dos gostos que ele jamais se esquecerá.



Sobre o Caos



foto: ana-darvulia.deviantart.com






(s.m.) do IN; do ANTI; do DES:
Insustentável
Antitético
Desconstruído

Não q’eu seja contraordem,
mas é na contrarregra que reside a beleza da dição|contra-


"É preciso ter caos e frenesi dentro de si para dar à luz uma estrela dançante".


No fim das contas, nada importa realmente.





Desencontro



Eu tenho tanto amor em mim,
e tem tanta gente precisando de amor.
Mas as pessoas insistem em continuar se desencontrando.






Olhos Abertos no Escuro

 Fotografia original: klemmern.deviantart.com - editada por mim



O  jovem poeta vagabundo vaga observador, mirando os cantos mais escuros. Flanador, que sozinho e já livre dos seus dramas diários observa o vazio naquela noite de chuva mansa. É naquela rua em que se encontra, que se encontra na penumbra, nos reflexos distorcidos da água das poças. É só ali que acha a felicidade da sua solidão, quando esta lhe parece agradável.

Leves gotas d’água, que batem no rosto e escorrem pela pele, purificando os maus afetos. Eu tenho meus olhos abertos no escuro.




Nó(s)

foto: barnaulsky-zeek.deviantart.com/



"Quando você vai embora de nós
o pronome parte-se ao meio
você diz que só leva o s
e o que adianta?
se comigo sobra o
na garganta."



.

Grito




"- Essa gente razoável! Exclamei eu - Paixão! Embriaguez! Loucura! E vocês se conservam tão calmos, tão indiferentes, vocês, os homens da moral! Esmurram o bêbado, repelem o louco, cheios de asco, e passam adiante, como o sacrificador, agradecendo a Deus como o fariseu, por não haver feito vocês iguais a um desses desgraçados! Tenho-me embriagado mais de uma vez, as minhas paixões roçavam sempre pela loucura, e disso não me arrependo, porque só assim cheguei a compreender, numa certa medida, a razão por que, em todos os tempos, sempre foram tratados como ébrios e como os loucos os homens extraordinários que realizaram grandes coisas, as coisas que pareciam impossíveis."

GOETHE, Os Sofrimentos do Jovem Werther



.

Fantoche



Platonismo



Meu medo de te desejar é chegar a te possuir.
Só amores irrealizados são eternos.



Fotografia: roseonthegrey.deviantart.com

Recado de Geladeira

Dilema



lindo por fora | vazio por dentro


                                                                             Foto: magnesina.deviantart.com

 

Diálogo

                                         Fotografia: ineedchemicalx.deviantart.com

"— E você, por que desvia o olhar?

(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarra-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)


— Ah. Porque eu sou tímida."

Rita Apoena 


 

O Louco

A Sombra do Eu

Fotografia: Vihuol


A sombra do eu 
À sombra do eu
A sombra doeu
Assombrado eu
Asombradoeu
Minha intimidade me rói por dentro. 





A Menina Invisível




       “Eu não tenho cabelos vermelhos e o meu vestido não é amarelo. Eu sou só uma menina invisível, deitada na grama invisível que a moça que não sabia desenhar, não desenhou. Aquele é o menino que eu não lhe falei. Ele sempre está preso num único instante; o instante em que o moço que sabia desenhar, o desenhou.

       O balão que subia as nuvens, com várias crianças chamando, teve de desviar o caminho, pois não fazia parte desse desenho. O avião que trazia uma faixa, com linda declaração de amor, teve de mudar a rota, pois neste céu azul é que não foi desenhado. O pombo-correio que veio voando de fora da imagem, bateu o bico na borda e caiu. Por isso, o menino está sempre só.

       Se as crianças do balão não conseguiram. Se o avião também não conseguiu. Se nem o pombo-correio teve sucesso, como é que eu, uma menina invisível, feita de palavras, poderia chegar até ele? Foi o que passei dias e dias pensando. Então, numa de minhas viagens, ouvi dizer que uma imagem valia mais do que mil palavras. Não tive dúvidas. Abri a oficina invisível, acendi as luzes transparentes e comecei a construir este imenso abraço de palavras. De mil e duas palavras. Para, um dia, entregar a ele.”




“A gente dorme de olhos fechados
que é para poder sonhar por dentro, amor.”





Rita Apoena