domingo, 23 de maio de 2010

A Folha




  
Nove horas da manhã seguinte a uma noite decadente, de álcool e perversões, longe de casa, longe do meu espaço seguro. Passei pela rua e arranquei uma folha de uma árvore, sem nenhuma intenção maior, apenas arranquei, parei, e comecei a observá-la. Cada detalhe, cada nervura, cada tom de verde.

Enquanto as meninas tomavam café na padaria, me perdi na minha folha, o tempo parou, e meu olhar se prendeu. Na minha cabeça não entendi a existência de algo assim. É vivo, mas não tem alma, não sente, não cria nada. É uma existência estável e insignificante.

Inesperadamente, senti amor.

Não sei por qual motivo, mas passei a admirá-la simplesmente pelo fato de existir. Criamos um vínculo injustificável, e todo meu ser, toda minha existência, meus aspectos, minhas frustrações, meus desejos, tudo deixou de existir naquele momento, naquela folha. Foi como trocar de lugar, como se fosse ela a me observar.

Voltando, percebi que tem tanta coisa a nossa volta e não conseguimos sentir a essência de nada, não nos permitimos amar nada. Tudo passa desapercebido e assim nos tornamos tão ou mais insignificante do que a folha.

Guardei-a comigo, pra que eu não me esqueça desse insight. Eu sei que ela vai murchar, secar e desaparecer, mas continuarei guardando-a, pra me lembrar sempre da lição daquela pequena folha insignificante.

terça-feira, 18 de maio de 2010

NATU – NATURATA – A Guerreira Ressonante Amarela



É estranho como algumas pessoas passam por nossa vida de forma tão misteriosa e deixam rastros que não se apagam. Ontem me peguei ouvindo uma música antiga que tenho salva a uns quatro anos e me dei conta que a tinha recebido como presente de uma amiga virtual que simplesmente desapareceu a alguns anos.

Com seus cachos coloridos, ela surgiu no Orkut num dia comum. “Natu-Naturata”, “Guerreira Ressonante Amarela” ou simplesmente Laura. Bem, ela era muitas coisas, e muito pouco Laura. Das nossas conversas iniciais sobre os índigos nasceu essa estranha simpatia que mais tarde se tornou uma amizade interessante. Trocávamos confidências e experiências todos os dias a tarde, por horas e horas.

Naturata morava em São Paulo. Era artista plástica, mas fazia um pouco de tudo. Tava cansada das raves, mas ainda mantinha paixão por música eletrônica. Me apresentou o Chill Out, a Ambient Music, Tripswich, Abakus, o Ayahuasca, o Caibalion e o Necronomicon, Hermes Trimegisto, a video-animação e seu vestido-caixa (que hoje, tenho certeza, faria sucesso).


Mas e ai?


Por que ela apareceu? Por que ela sumiu? E por que estou escrevendo sobre ela tantos anos depois?


Tem certas coisas que não se explica, simplesmente acontecem. Hoje acordei, pensei nela, e achei interessante perceber que ainda temos, de alguma forma, uma conexão. Queria saber se ela está bem, mas muito provavelmente nunca mais vamos nos encontrar, exceto nesse tipo de encontro, bem íntimo e particular, que acontece quando lembramos de todas as experiências que tivemos juntos e de tudo que já significamos um para o outro.


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KIN 176: GUERREIRO RESSONANTE AMARELO


Canalizo com o fim de questionar
Inspirando a intrepidez
Selo a saída da inteligência
Com o tom ressonante da harmonização
Eu sou guiado pelo poder da elegância
Sou um portal de ativação galáctica


“Comunico-me com minha voz interior e peço-lhe que guie meus passos com base na perfeição que trago em mim”.